Número de passageiros no transporte público aumenta com megarrodízio em SP

Metrô e CPTM registraram aumento de 11% a 15%, segundo governo do estado, na manhã desta segunda-feira na capital paulista

11.mai.2020 às 14h16

*Agora

Alfredo Henrique SÃO PAULO

Passageiros da zona sul da capital paulista reclamam do aumento de movimento no transporte público, na manhã desta segunda-feira (11), dia em que o megarrodízio de veículos começou a vigorar na cidade.

Passageiros em linha de trem do metrô na linha 3-vermelha – Rivaldo Gomes/Folhapress

Os usuários disseram que se sentem mais expostos a eventuais contaminações pelo novo coronavírus, conforme relatado à reportagem, em decorrência do maior número de pessoas nos ônibus, trens e metrô.

De acordo com a Secretaria de Transportes Metropolitanos, algumas linhas do metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) registraram aumento no fluxo de passageiros entre 11% e 15%.

O novo rodízio, determinado pela gestão Bruno Covas (PSDB), permite a circulação de veículos com placas com final par somente em dias pares, e placas com final ímpar, em dias ímpares. A proibição da circulação é durante as 24 horas do dia e em todas as regiões da cidade.

Para a auxiliar administrativa Elenice Paula Ferreira, 35, estava visivelmente nítido o aumento de passageiros na estação Grajaú da CPTM, por volta das 8h30 desta segunda. Usando máscara, ela afirmou usar a estação todos os dias, para ir ao trabalho, no centro.

“Só estou na estação porque preciso trabalhar. Quem pode ficar em casa, deveria respeitar isso [quarentena] e não expor [à contaminação] quem é obrigado a usar o transporte público”, afirmou.

Além da CPTM, no Grajaú também há um terminal de ônibus. Sentado em um banco, o casal William Honório, 24, e Damaris Aciole, 27, aguardava a chegada de uma parente que iria acompanhá-los até um cartório de registros, onde iriam entregar documentação para formalizar o casamento de ambos. Eles usavam máscara de proteção.

Honório usou o mesmo terminal, na semana passada, para ir ao trabalho entregar documentos. Ele afirmou que, neste segunda, percebeu o aumento no número de pessoas. “Eu não tenho carro, nem minha noiva. Então, somos obrigados a usar ônibus. Mas as pessoas que tem carro, agora vão usar também o transporte público, enchendo os ônibus, porque não podem dirigir em alguns dias da semana [por causa do rodízio] . Isso deixa todo mundo em risco de se contaminar [com a Covid-19]”, criticou.

Na estação Capão Redondo da linha 5-lilás do metrô, uma analista financeira de 44 anos, usando máscara e luvas, aguardava o transporte para ir ao trabalho, na região da avenida Paulista, no centro. Ela, que pediu para não ter o nome publicado, costuma fazer o trajeto de carro. “Mas a placa do meu carro é [final] par, então hoje [segunda, dia 11] precisei apelar para o metrô”, justificou.

Ela disse ainda se sentir exposta a contaminação pela Covid-19, pois muitas pessoas estavam usando o transporte público. Na plataforma em que ela estava, segundo apurado pelo Agora, havia mais de 150 pessoas esperando para embarcar por volta das 10h10.

Resposta

O governo do estado, gestão João Doria (PSDB) confirmou o aumento no número de passageiros no metrô e CPTM em 11% na linha 5-lilás, 12% nas linha 1-azul, 2-verde e 3-vermelha, 14% na linha 4-amarela, além de 15% na CPTM. Dados sobre a EMTU (Empresa Metropolitana de Trens Urbanos) serão divulgados no final da tarde desta segunda, acrescentou o governo estadual.

A prefeitura, gestão Bruno Covas (PSDB), afirmou que o registro de congestionamento na cidade caiu para 1 km na manhã desta segunda. No primeiro dia da semana passada, foram 11 km, de acordo com cálculos da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

Segundo a SPTrans foram utilizados 489 dos 600 ônibus disponíveis em bolsões, localizados em pontos estratégicos da cidade, com o intuito de atender todas as regiões, “assim que é detectada a necessidade de reforço no atendimento em alguma linha”, diz trecho de nota.

A pasta acrescentou que monitora a movimentação de passageiros para ajustar e adequar a frota, quando necessário, à demanda.

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