Informais ganham espaço e já são 40,6% do total de ocupados

agosto 1, 2018 No Comments »
Informais ganham espaço e já são 40,6% do total de ocupados
*Valor

Trabalhadores informais continuam a ganhar participação no mercado de trabalho e já representam 40,6% do total da população ocupada no país. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada ontem pelo IBGE, o aumento da informalidade e a saída expressiva de pessoas do mercado puxaram a redução da taxa de desemprego. Entre o primeiro e o segundo trimestres, a fatia de desempregados em relação à força de trabalho caiu de 13,1% para 12,4%.

O contingente de informais – que, para o IBGE, são os trabalhadores no setor privado e domésticos sem carteira, empregadores e trabalhadores por conta própria sem CNPJ e, ainda, trabalhadores familiares auxiliares – somou 37,1 milhões de pessoas de abril a junho, alta de 2,3% frente a igual período de 2017. Ao mesmo tempo, o total de assalariados com carteira recuou 1,5% no período, para 32,8 milhões de pessoas, menor estoque da série da Pnad Contínua, em 2012.

Outro recorde negativo de junho foi o número de pessoas fora da força de trabalho, que atingiu 65,6 milhões no período, maior patamar da série do levantamento. Entre o primeiro e o segundo trimestres, 774 mil pessoas passaram à inatividade, uma alta de 1,2%. O aumento é ainda maior na comparação anual, de 1,9%.

A partir de agora, o IBGE passa a divulgar dados de ocupação e rendimentos de empregadores e ocupados por conta própria com e sem CNPJ e, também, de trabalhadores domésticos com e sem carteira. Antes, essas desagregações só eram publicadas trimestralmente. O órgão passou a separar, ainda, o funcionalismo público entre trabalhadores com e sem carteira, além de militares e estatutários, já contemplados.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o objetivo é identificar se a alta da ocupação está ocorrendo em posições informais, principalmente no segmento conta própria, para o qual muitas pessoas migraram durante a crise e onde a formalização é baixa. Apesar de, na comparação anual, o total de ocupados por conta própria com CNPJ ter subido 7,5%, o grupo que não tem o cadastro representa mais de 80% dos ocupados na posição.

Para Azeredo, o desemprego menor poderia ser positivo, mas foi resultado do alta da informalidade, da expansão sazonal da ocupação no setor público e da forte saída de pessoas do mercado, movimento que preferiu não relacionar ao desalento. Os inativos, diz, podem ser desalentados, aposentados, jovens que se dedicam aos estudos e pessoas que encontraram ocupação, mas não estavam em condições de assumi-la por motivos de saúde, por exemplo.

Outro indício de que menos pessoas estão buscando emprego, a taxa de participação – que mede a fatia de ocupados e desocupados sobre o total de pessoas com idade para trabalhar – está em queda, e foi de 61,4% no segundo trimestre, com baixas de 0,2 ponto percentual em relação a janeiro a março, e de 0,3 ponto ante igual periodo de 2017.

Na série ajustada sazonalmente pelo Itaú Unibanco, a razão entre força de trabalho e população em idade ativa caiu para 61,3%. Em novembro de 2017, havia atingido seu ápice desde 2012, ao marcar 61,9%. “Havia uma recuperação mais forte do emprego desde meados do ano passado, ainda que concentrada nos informais, mas essa tendência foi arrefecendo no primeiro semestre”, diz Artur Passos, do Itaú.

Outros dados, como a criação de emprego formal pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), também atestam a perda de força do crescimento. O banco projeta crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 1,3% em 2018 e 2% em 2019, o que deixará o desemprego em 12,3%, segundo sua série ajustada, no fechamento do ano, caindo a 12,1% ao fim de 2019.

Também na série dessazonalizada, Cosmo Donato, da LCA Consultores, aponta que a taxa de desocupação ficou estável de maio para junho, e não muda o quadro de melhora lenta do mercado de trabalho com vagas mais precárias. Nos cálculos da consultoria, o desemprego não retrocedeu, ao passar de 12,33% para 12,26% entre maio e junho.

Nas contas de Donato, a ocupação no emprego formal cresceu apenas 0,2% no primeiro semestre em comparação com igual período do ano passado, enquanto, no setor informal, houve alta de 3,8%. E a composição segue desfavorável, com queda dos ocupados no setor privado com carteira assinada (-1,6%) e alta dos sem carteira (5,2%).

Já o empregador sem CNPJ saltou 15,6% ante o primeiro semestre do ano passado. O aumento superior ao do empregador com CNPJ (2,7%) evidencia a consolidação do microempregador informal, diz a LCA.

Para Clemente Ganz Lúcio, diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a redução do desemprego é inconsistente com a retomada do crescimento, levando em conta o perfil de vagas geradas. “É melhor estar nessas ocupações do que sem nenhum tipo de vínculo, mas a renda gerada por elas não é suficiente para dinamizar o mercado interno”, avaliou.

No segundo trimestre, o rendimento médio real dos ocupados subiu 1,1% sobre igual período do ano passado, para R$ 2.174. A renda de trabalhadores por conta própria e empregadores sem CNPJ, porém, caiu 0,6% e 5,5% em igual comparação, pela ordem.

Views All Time

Views All Time
63
Views Today

Views Today
1