Imbel confirma que suspendeu Seguro de Vida de funcionários

Luís Alberto Alves/Comunicação CNTQ

Quem brinca com fogo se queima. Assim diz o ditado popular. Porém, essa máxima não vale para a Imbel (Indústria de Material Bélico do Brasil). Com diversos acidentes fatais no currículo, desde 1944, quando morreram 14 pessoas e outra grande quantidade de feridos em Juiz de Fora; em 1946 mais dois funcionários perderam as vidas na empresa; em 1984 outro trabalhador morreu em outro acidente fatal. Em 1982, na cidade paulista de Piquete, 19 pessoas morreram em outra unidade da Imbel, antes em 1970, no mesmo local uma explosão deixava 13 vítimas fatais e sete anos depois um trabalhador falecia quando manipulava material explosivo.

Os constantes alertas de sindicalistas, tanto de Juiz de Fora quanto de Lorena em relação à suspensão do Seguro de Vida não sensibilizou a diretoria da Imbel. A CNTQ (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico) entrou em contato com a empresa e foi confirmada retirada deste benefício, com argumento de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal e limitar as despesas à sua capacidade orçamentária.

A Imbel informou em nota que: “decidiu pela não renovação daquele contrato, limitando-se a conceder tal benefício apenas aos casos previstos em lei (o grifo é nosso), como no caso da guarda patrimonial das fábricas e estagiários. O assunto está sendo tratado na Justiça Federal do Trabalho. Acerca da alegada supressão do Seguro de Vida, informamos que as apólices de seguro expiraram em 31/07/2015, sendo facultado à empresa renová-las, ou não. Lembramos que por ser uma estatal, a IMBEL deve cumprir rigorosamente a Lei de Responsabilidade Fiscal e limitar despesas à sua capacidade orçamentária.”

Segundo o presidente do Sindicato dos Químicos de Juiz de Fora, Scipião Júnior, “não há fundamento quando a Imbel fala de Lei de Responsabilidade Fiscal, pois ela perdeu em 1ª Instância em Juiz de Fora, com a Justiça ordenando o retorno imediato nos moldes do que foi retirado. Entramos e ganhamos, mas a Imbel recorreu”, explicou. Também houve ganho no retorno do café da manhã, com multa de R$ 5,00 para cada trabalhador retroativo a novembro/2015 para cada dia sem café.

 A mesma opinião tem o presidente do Sindicato dos Químicos de Lorena (SP), Jefferson Pinto Ferreira, onde na vizinha Piquete fica outra unidade da Imbel. “Com o argumento da Lei de Responsabilidade Fiscal eles procuram cortar todos os benefícios dos funcionários num verdadeiro pacote de maldade”, criticou.

Interdição

 Na segunda-feira (22), auditores da Gerência Regional do Trabalho de Juiz de Fora decidiram pela interdição da Imbel nesta cidade. A decisão ficará em vigor até a administração tomar providências para garantir a segurança dos 270 funcionários. As atividades no local estão suspensas desde a explosão de um paiol no dia 16, que causou danos materiais em dependências da indústria e em imóveis vizinhos. A fábrica tem 82 edificações e todas precisam ser vistoriadas, não apenas o local do acidente. Segundo a Justiça do Trabalho, uma parte da interdição diz respeito às edificações, porque algumas foram comprometidas. Segundo auditores do Ministério do Trabalho, a Imbel precisa apresentar uma solicitação do levantamento de interdição, que pode ser total ou parcial. Os funcionários civis não podem trabalhar até haver garantia de segurança.

Quanto à questão de possível falta de pagamento, Scipião Júnior disse que a Legislação, em caso de interdição e interrupção de atividades, salários e benefícios estão garantidos. “Não procede o temor de pessoas e comerciantes da região de que os trabalhadores da Imbel teriam o pagamento suspenso”, disse. A direção da Imbel transferiu parte do pessoal administrativo para uma sala do Colégio Militar, para dar prosseguimento aos trabalhos em meio expediente, numa alternativa permitida pela Lei.

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