Governo continua privilegiando banqueiros

Silvan: “o capital especulativo não cria nenhum tipo de emprego, apenas aumenta sua riqueza por meio da ciranda financeira”

*Antonio Silvan Oliveira

Nada mudou. Continua a mesma política econômica de privilegiar o capital especulativo em detrimento da produção. Vale mais investir na ciranda financeira do que abrir uma fábrica para geração de empregos. Essa é a ótica do presidente interino Michel Temer. Aos banqueiros o doce, aos trabalhadores e empregadores o fel.

Parece redundância, mas sempre estamos falando da necessidade de derrubar as taxas de juros, porém nada é feito. Para o governo, os especuladores precisam continuar merecendo bom tratamento, ganhando rios de dinheiro sem aplicar um centavo na produção. Até no quesito imposto, o mercado financeiro fica na frente do restante da sociedade, desembolsando menos ao fisco.

Nos três primeiros meses de 2016, o lucro líquido dos cinco maiores bancos no Brasil (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú-Unibanco e Santander) atingiu R$ 13, 131 bilhões. O setor bancário foi o de maior lucratividade no primeiro trimestre deste ano. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias cresceram 6,2%, atingindo R$ 26,582 bilhões.

Por outro lado, o Brasil tem atualmente 12 milhões de desempregados. Este número equivale ao total de habitantes da cidade de São Paulo. Ou seja, temos um município de São Paulo de pessoas sem trabalho. Qual a postura diante deste quadro por parte do governo Temer? Nenhuma! Apenas anuncia mais medidas impopulares, entre elas retirada de conquistas trabalhistas obtidas sob luta há muitos anos.

A diferença dos especuladores para os empregadores é que esses últimos ganham dinheiro produzindo mercadorias. Fazem isto contratando funcionários. Já o especulador não admite nenhum trabalhador. Apenas procura crescer o seu capital apostando na ciranda financeira, onde as taxas de juros se transformam em alimento para aumentar sua riqueza, sem criar posto algum de trabalho.

Para justificar o injustificável, o Banco Central informa ainda não haver espaço para derrubada da taxa de juros, mantendo os atuais 14,25% da taxa Selic, por causa das incertezas que cercam a administração das contas públicas quanto na própria expectativa dos formadores de preços. Para o governo nunca existirá este espaço, pois adepto do neoliberalismo econômico, quanto menos direito sociais e trabalhistas maior será o campo para a especulação financeira.

*Antonio Silvan Oliveira é presidente do Sindiquímicos Guarulhos e da CNTQ (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Químico)

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