Clientes da Braskem querem que governo monitore venda à LyondellBasell

julho 3, 2018 No Comments »
Clientes da Braskem querem que governo monitore venda à LyondellBasell
*Valor Econômico
Por Stella Fontes | Valor

SÃO PAULO  –  A indústria de transformação do plástico quer que o governo brasileiro acompanhe a potencial venda da Braskem, principal fornecedora de insumos do setor, para a LyondellBasell, que tem sede na Holanda. Juntas, as petroquímicas darão origem à maior produtora mundial de resinas termoplásticas e o fato de uma companhia estrangeira estar a caminho de assumir a única fornecedora nacional de polietileno (PE) e de polipropileno (PP) preocupa os transformadores brasileiros.

“Esse é um monopólio protegido e está passando às mãos de investidores estrangeiros. Queremos mostrar ao governo que essa é uma questão estratégica, assim como a venda da Embraer”, disse ao Valor o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), José Ricardo Roriz Coelho. O setor não é contrário à operação, ressaltou o executivo. Mas, nessa circunstância, quer voltar a discutir a eliminação de barreiras à concorrência com a resina importada.

“As alíquotas de importação [de 14%] e as tarifas antidumping inibem a concorrência e afastam produtores internacionais que querem fornecer seus produtos aos transformadores brasileiros”, disse Roriz. O Brasil aplica antidumping às importações de PP, PVC e resina PET — o mais antigo tem quase 28 anos.

A Odebrecht, que controla a Braskem, informou há pouco mais de duas semanas que está em tratativas preliminares com a LyondellBasell para venda de sua participação na petroquímica. A oferta deve ser estendida aos demais acionistas da Braskem, incluindo a Petrobras. Ao fim da operação, a Odebrecht ficaria com uma fatia minoritária da LyondellBasell.

Para sensibilizar o governo, os transformadores vão mostrar que os preços das principais resinas no país sobem com força desde o ano passado, acima da variação das cotações internacionais, e que apenas uma parte dessa correção pode ser atribuída à desvalorização cambial.

Levantamento da Abiplast indica que, desde o início de setembro do ano passado, quando as operações da indústria petroquímica nos Estados Unidos se recuperavam da passagem do furacão Harvey, os preços em reais dessas matérias-primas subiram entre 24,55% (polietileno de baixa densidade linear) e 36,79% (PVC). Ao mesmo tempo, no mercado americano, houve desde queda de 10,31% (polietileno de alta densidade referência injeção) a aumento de 31,28% (polipropileno) — o PP é a única resina com variação maior no mercado americano do que no brasileiro, onde a alta foi de 29,11% no mesmo intervalo. Na Ásia, os valores em dólares variaram entre 2,49% de queda (polietileno de baixa densidade) e 15,65% de alta (polietileno de alta densidade referência sopro).

No acumulado de 2018, segundo a entidade, os aumentos aplicados aos preços domésticos já chegam a 24% — contra 17% de desvalorização do real — e a elevação dos custos não tem sido repassada aos preços dos transformados, uma vez que o mercado permanece “retraído”.

Novo reajuste é esperado para este mês. A Braskem anunciou no fim da semana a tabela de preços para resinas termoplásticas válida em julho, com aumentos de até 7% para o polietileno, segundo fontes ouvidas pelo Valor. A petroquímica teria reajustado o polietileno de baixa densidade (PEBD) e o linear (PEBDL) em R$ 500 por tonelada e o de alta densidade em R$ 600 por tonelada. A Dow, segunda maior fornecedora de PE no mercado brasileiro, teria subido os preços em R$ 500 por tonelada.

A Braskem também teria reajustado o polipropileno em R$ 600 por tonelada, diante do maior preços do propeno no mercado americano e da variação cambial. E há discussão em curso quanto a um provável aumento de 5% para o PVC, embora a demanda esteja aquém do esperado.

A desvalorização cambial e o aumento dos preços internacionais de resinas e da nafta petroquímica, um derivado do petróleo, ajudam a explicar parte dos reajustes no mercado doméstico ao longo de 2018. Somente no segundo trimestre, o óleo (usando como referência o WTI) subiu 14,2%, para US$ 74,15 o barril. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), a cotação da nafta em reais subiu 19,7% em maio ante abril e 27,4% nos cinco primeiros meses do ano.

Procurada, a Braskem informou que não comenta reajustes específicos.

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