MARCELA CAETANO • SÃO PAULO

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A Companhia de Cooperativas Agropecuárias do Brasil (CCAB) projeta avanço de 43,7% no faturamento do próximo ano fiscal amparado na expansão da área de atuação para os estados do Sul e Sudeste e na maior disposição do agricultor em investir em tecnologia nesta safra.

Formada por 22 cooperativas de produtores rurais de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Bahia, a CCAB atua no registro e comercialização de defensivos químicos genéricos e de agentes biológicos para a lavouras.

No ano fiscal que se encerra em junho de 2019, a CCAB projeta um faturamento de US$ 240 milhões ante os US$ 167,7 milhões alcançados no período encerrado em meados de 2018.

“Para culturas como soja e milho, esperamos que o uso de tecnologia nesta safra seja um pouco maior em relação aos anos anteriores devido aos ganhos do agricultor com a valorização das commodities”, avalia o CEO da CCAB, Jonas Yasuda. A meta da companhia é chegar a US$ 520 milhões no ano fiscal encerrado em 2022.

As cooperativas acionistas reúnem 55 mil produtores que têm como principais culturas algodão, soja e milho, que devem registrar aumento na área cultivada neste ciclo, observa o CEO.

Segundo ele, a projeção está ancorada especialmente na expansão do alcance da venda de defensivos da CCAB para produtores que não são acionistas da empresa, por meio da plataforma Cropline. “Isso vai permitir o atendimento aos produtores do Sul e Sudeste do País”, diz o CEO.

A expectativa é que o novo modelo de negócio responda por 12% do faturamento da empresa e atenda também culturas como arroz, frutas, hortaliças e cana-de-açúcar. A venda de defensivos a produtores ocorrerá por meio de outras cooperativas agrícolas ou a partir da formação de grupos de agricultores.

A participação da CCAB ainda é pequena em um mercado que movimenta US$ 9,5 bilhões no Brasil. No entanto, se diferencia das grandes companhias concorrentes porque permite aos produtores que recebam dividendos. Seus acionistas produzem 80% do algodão brasileiro, 20% da soja e 13% do milho, segundo o CEO.

Em 2016, o grupo francês Invivo, que reúne 206 cooperativas e 300 mil produtores, adquiriu 58% das ações da CCAB. Conforme Yasuda, a intenção é que os produtos da Invivo sejam aos poucos nacionalizados e vendidos no Brasil.

A CCAB tem hoje 22 produtos genéricos registrados, entre fungicidas, herbicidas e inseticidas e seis defensivos biológicos. Outros 30 possuem apenas registro técnico, 16 estão em análise no Ministério da Agricultura e outros 25 ainda aguardam avaliação.

Preços Os produtos vendidos pela CCAB são importados da China, principal fornecedor global de produtos e matérias-primas para o segmento. Yasuda projeta que a política ambiental chinesa – que restringe a atuação de fábricas que não estejam em conformidade com as novas leis que visam a redução da poluição no país – leve a uma valorização dos preços dos defensivos na safra 2019/2020. “A oferta de matérias-primas deve diminuir e elevar os preços dos insumos. Em 2018/2019, já vamos ter algumas elevações pontuais em alguns produtos”, avalia.

Ele não acredita que a valorização do dólar frente o real seja um entrave para os negócios, já que as commodities também foram beneficiadas. “Esse encarecimento é relativo pois o produtor não teve perdas”, destaca.

Yasuda afirma que a greve dos caminhoneiros, em maio, afetou a comercialização das commodities e consequentemente adiou as compras de insumos. “Essa quebra de ciclo faz com que o giro do dinheiro seja afetado e gere um pouco de atraso nas compras.”

BiológicosEm janeiro, a empresa deve lançar uma nova linha com quatro produtos biológicos para lavouras. Conforme Yasuda, o segmento como um todo movimenta em torno de US$ 100 milhões no Brasil.

“É uma tecnologia mais adaptada a culturas de menor porte, como orgânicos, horticultura e fruticultura”, argumenta o CEO.