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Nas linhas de produção, sensores fiscalizam em tempo real o desempenho das máquinas. Na área de montagem, peças marcadas a laser com códigos de barras carregam dados que, interpretados por leitores de códigos de alta performance, contam de onde vieram, do que são feitas e para onde vão. Enquanto isso, scanners de área e cortinas de segurança monitoram a produção e emitem sinais de alerta quando há risco de acidentes para os operadores.

Desde que as fábricas começaram a incorporar meios de produção baseados em sensores, na década de 1950, esses equipamentos passaram por profundas transformações. Hoje, são considerados a base para a evolução da Indústria 4.0, responsáveis por gerenciar todo o processo de forma automática e online: fazer a contagem e endereçamento de materiais, controlar o maquinário para segurança dos operadores, medir a pressão, a temperatura, além de diversas outras utilidades.
O mercado brasileiro vem mostrando apetite para se aproximar dessa realidade. Pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria apontou que 27% das indústrias utiliza automação com sensores. Parece modesto, mas revela maior interesse do empresariado por tecnologia industrial, sobretudo nos setores automotivo, farmacêutico e de alimentos. Com a economia instável, empresários perceberam que investir para produzir mais com menos é regra básica para garantir competitividade.

A mão de obra nacional também se valorizou com operadores cada vez mais multidisciplinares, o que ajuda a democratizar o acesso. À medida que a indústria descobre novas aplicações para os produtos, os preços diminuem e tornam o mercado mais convidativo para novos players.

Em um passado recente, leitores e sensores eram privilégio restrito a grandes empresas. Hoje, a nota de corte para implementar essas tecnologias está no tipo de produção e não mais nos preços. Qualquer empresa automatizada pode utilizar os equipamentos, seja qual for o porte. Dada a diversidade dos consumidores, o Brasil é um dos países mais avançados no uso da tecnologia. A evolução natural, que começou com máquinas a vapor, continua com aquelas conectadas virtualmente, sendo fácil afirmar: o impacto da Indústria 4.0 é um caminho sem volta.

Domingos Mancinelli é diretor de vendas da Datalog na América Latina